segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

São e sim.



[...] E tanto se misturaram um no outro, se usaram, se lambuzaram deles dois, se fundiram. Só os dois. Os dois a sós. Sugaram a energia de seus entregues. Foram tanto, que transboradaram os corpos e sobraram eles. Quando se encontram, fingem. Fingem que não se importam, que não ligam, que não sentem, que não lêem, que as mãos não suam. Fingem que não sentem falta, que não pensam. Fingem para fazer de conta que não. Mas são e sim. Fingem que é o fim. Fingem que os olhos não se procuram. Fingem, mas seus corpos sorriem. Fingem, mas tem um povaréu dentro que grita saudade. Fingem. Só. Porque sabem que um do outro fazem parte, que ainda há sede para tomarem eles que sobraram. Fingem, mas se reconhecem em qualquer vida, no verão, de pernas cruzadas, de máscaras, no paraíso ou no inferno. No dia do juízo ou no inferno.


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Trecho de personagens - Fernand's



Qualquer semelhança com a realidade, 
não é mera coincidência. 

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